Adoradores da Eucaristia    Adorar é conhecer a grandeza de Deus e o seu poder. Irmã Ercília

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O Silêncio

Os adoradores tem como compromisso o testemunho do ilimitado amor de Deus, isto é comprometer-se com a palavra de Cristo. "O que perder sua vida por causa de mim e do Evangelho, irá salvá-la." (Mc 8,35) Esta entrega da vida deverá acontecer em toda Santa Missa, recordando sempre o dia de sua consagração; que aconteceu numa celebração EUCARÍSTICA. O que sustentou Maria na sua caminhada foi a lembrança da visão do dia da anunciação. Ela tinha na mente e no coração a saudação do anjo. "Não temas, Maria, pois achaste graça diante de Deus, eis que conceberás no teu ventre e darás a luz um filho que porás o nome de Jesus. Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi e seu reino será eternamente sobre a casa de placa e seu reinado não terá fim. Faça-se em mim, segundo a sua Palavra. Em Jesus, Maria nada via de diferente dos outros jovens de sua idade. Sua vida era natural como natural era sua humildade. Ele teve que aprender tudo como todas as crianças. Alas o que a sustentou foi a fé na palavra e na promessa. Bem aventurada a que acreditou, porque se hão de cumprir as coisas que da parte do Senhor foram ditas (Lc 1,3~33-45).

Assim como ela, os adoradores para testemunharem o ilimitado amor de Deus, precisam acreditar na Hóstia, mesmo sem enxergar nada de extraordinário. "Este é o meu Corpo. Tomai e comei. Bebei todos porque isto é o meu Sangue do Novo Testamento, que será derramado por muitos, para a remissão dos pecados." No dia da consagração Jesus estabelece no coração de cada adorador e adoradora, um novo pacto de amor para a glória de Deus. O Sangue foi derramado em favor de muitos. E em favor de muitos, os adoradores entregam suas vidas para testemunhar a palavra. Misto é o meu Corpo." No dia da consagração os adoradores testemunham que o Homem Deus ofereceu-se a si mesmo, por amor, como o novo Cordeiro do Sacrifício. E este Sacrifício acontece em cada Santa Missa. O sim de Maria é o novo sim hoje. Em cada Santa Missa, Jesus se fez carne em nós.

O Silêncio

Que todos os adoradores tomem consciência do grande valor do silêncio.

O Sacrário é silêncio! Tudo o que é eterno e define a Vida é silêncio. Ele é a força do amadurecimento de todo ser. Nove meses no ventre materno é silêncio. E assim são todos os desígnios de Deus. Deus é silêncio. Toda liturgia bem preparada começa no silêncio do coração. Toda a vida é uma liturgia, basta abrirmos os olhos e acolher o silêncio. Deus é um eterno silêncio que manifesta sua grandeza na profundidade das almas à sua disposição. E preciso que os corações dos adoradores estejam disponíveis a realização dos projetos de Deus para a honra e glória de seu Filho EUCARÍSTICO aqui nesta terra. Pois foi nesta terra que Ele derramou o seu Sangue. E é aqui que acontece a conversão. Ai está a exigência do Silencio.

Silêncio interior

O que levou o profeta Elias entrar em intimidade com Deus foi a brisa suave (I.R.S. 19,13-14) A solidão já é preparadas onde Deus vem tocando. É um desejo de estar a sós numa busca profunda de encontro com Aquele que vem nos trazendo a Vida. Ele é o contato pessoal com nosso Deus e Criador, que nos vem revelar as suas exigências e seus desejos no decorrer de cada dia. Para muitos o silêncio mete medo e por isso procuram minimizá-lo. E porque? Porque leva ao encontro consigo mesmo, limitações e fraquezas em relação a si e aos outros, na maneira de pensar e agir. Essas pessoas ainda não descobriram que o silêncio interior, favorece em profundidade a descoberta do "essencial invisível". É a grande descoberta da Pessoa EUCARISTICA do Senhor. Nenhum conhecimento profundo se dá no barulho e na dispersão. No costume de andar apressado, corre para cá e para lá, pensamento agitado, cabeça a mil, dá-se a impressão que o silêncio é uma coisa superficial.

Neste corre corre é preciso pedir ao Espírito Santo a educação para silenciar. É um trabalho interior feito com espontaneidade e desejo.

Pedir é buscar e quem busca aceita as condições para receber. Nunca uma adoradora e um adorador deverão esquecer que o Sacrário é Silêncio! Toda a natureza é silenciosa e nunca deixaram de expandir a sua beleza no momento oportuno. A beleza de uma noite estrelada, as montanhas com toda sua imponência e as flores cada uma em sua época. O que diríamos dos mares e rios? Um por do sol e o esboço do sorriso de um bebe. Tudo é silencioso. Assim é o trabalho da pessoa EUCARÍSTICA na alma e no coração de uma adoradora ou adorador que se deixam conduzir pelo Espirito de Deus. Só com o coração aberto e receptivo que o silêncio perde o seu vazio, produzindo no coração o amadurecimento das convicções dando força a palavra, que vem do abastecimento da alma.

O silêncio nos dá segurança no ser e no agir por nos conduzir ao encontro com Deus Trindade. Ele nos leva a dominar os impulsos emocionais pela acata da palavra, de si mesmo, dando lugar a ação do Espirito, que nos revelará a vontade de Deus. O resultado é a serenidade e a paz.

O Silêncio Eucarístico

É um silêncio construtivo, que ilumina e nos ajuda na percepção de tudo o que nos leva a interioridade. É um crescimento que nos mostra que o ativismo exagerado, esvazia levando à esterilidade das ações apostólicas. Para que aconteçam os frutos de que Jesus fala, pelos quais o Pai será glorificado, é preciso deixar-se conduzir pelos caminhos do silêncio, da solidão e da oração. Um silêncio que brota do profundo encontro com a Santa EUCARISTIA. E ela que nos leva a conhecer as verdades mais profundas dos nossos corações, para acontecer a libertação. Nesta intervenção divina permitido por nós porque Deus não nos força, difícil fazê-lo, mas vale a pena. Quando ele é voluntário e assumido nos unifica e nos dá a capacidade de tomar decisões maduras em relação a nós e na ajuda aos outros. Por isso a capacidade de aceitar o silêncio é um teste dos nossos valores. O coração fica mais aberto para atender as exigências de Deus na realidade de cada dia. Devemos tomar consciência que o silêncio exterior favorece a descoberta do essencial, mas não é um fim em si mesmo. É condição de escuta e caminho para comunhão. E o mesmo exercício do pequeno Samuel. "FALA, IAHWE, QUE O TEU SERVO ESCUTA." (1 Sm. 3,1-10) Silêncio para meditar, rezar e ouvir. A nostalgia do Absuluto induz a pessoa caminhar e situar-se numa atitude de escuta silenciosa de Deus. Adoradores dêem a Deus o seu silêncio e em troca terão a sabedoria EUCARÍSTICA.

O silêncio interior e exterior, são o controle do pensamento e do comportamento. É o silêncio do ser. Leva o coração a cantar, festejar a gratuidade de um Deus que amor. O mundo é incapaz de captar e compreender a beleza do silencio. Sem ele a palavra se torna estéril.

O silêncio exterior é um caminho para o silêncio interior. Enquanto o exterior é uma virtude dificil e até penosa para alguns, o interior traz a tranquilidade do coração e da mente, domina as fantasias, a imaginação, a memória elimina a dispersão dos pensamentos, é uma virtude rara, extraordinária e fora de moda.

Silêncio interior: Quietude, pois o nosso espirito vagueia incansavelmente. Perde-se muitas vezes em miragens. Nossa mente é um viajante incorrigível. E preciso um duro trabalho para satisfazer o desejo da alma na busca da calma e do repouso. E um caminho de educação pessoal que vai acontecendo nos corações dos que querem aprofundar-se na Sabedoria Eucaristica.

O Sacrário é silêncio! É um encontro fecundo que dá calor ao espírito. Por isso é produtivo, condição indispensável para a criatividade e educa os pensamentos. Os sentidos interiores ganham mais força, dando discricão os exteriores. A vontade se torna mais firme, o coração se veste de misericórdia e a compaixão pelas fraquezas do próximo torna o olhar mais terno e a vós mais branda. Mas é preciso ter conosco a mesma paciência do fermento que tem um tempo certo para levedar a massa e da semente conforme a lei natural para germinar e crescer (M, 4,2-30) Tudo acontece no silêncio. O muito falar é uma compensação do vazio interior e por isso calmos. "Aquele que não tropeça no falar é um homem perfeito." (Tg 3,2) E o Eclesiástico afirma: "Será insensata a palavra, mesmo do sábio, se dita fora do tempo.» ( Eclo 20,22)

A língua é um mal irrequieto e está cheia de veneno natural (Tg, 3,8) Pode ferir e dividir, infeccionar e desgastar. O pecado mora na boca e cata, com frequência, dá boas razões para más causas. Brigas e intrigas só fazem bem ao mal. Por isso o Salmista pede: Ponde uma guarda em minha boca, Senhor e vigias às portas dos lábios.(SL 140,2) Só serão capazes de adorar a Deus em Espirito e Verdade, os que nutriram a sua oração com o silêncio.

A oração é comunicação com Deus e não se aprofunda sem silêncio. Quando há muito trabalho e conversas, e duas pessoas amigas querem se comunicar, elas se retiram para um lugar silencioso, onde a palavra possa levar a paz que e fruto da oração. E o próprio Evangelho nos orienta: Aquando orardes, entra no teu quarto e, fechando a porta, ora ao teu Pai que está lá, no segredo e teu Pai que vê mas está sempre pronto a nos socorrerá vem o desenvolvimento da escuta, louvor acolhida, comunhão, trazendo a paz para testemunhar o perdão que é a contrição de um coração aconchegante. Ai então nasce a prece e a oferta de si mesmo. Mas nada disso acontece sem oração e silêncio. O silêncio e uma atração do Cristo EUCARÍSTICO já que somos adoradores de seu Corpo Consagrado no Altar. É o gozo de uma intimidade consciente que nos leva a participar da  VIDA TRINITÁRIA. São momentos de iluminação que nos levam para um clima de contemplação, na esperança de um dia ver Deus sorrir pela satisfação de termos acreditado na Palavra de seu Filho "ISTO É O MEU CORPO. ESTE É O CÁLICE DO MEU SANGUE DERRAMADO POR VÓS."

Assumir um compromisso com o silêncio exterior é primeiro passo para encontrar o Deus da Paz. Nele encontramos nossas raízes onde iniciamos a nossa renovação. Toda raiz é silenciosa, por isso é capaz de sustentai todo tipo de tronco. Assim o silêncio EUCARÍSTICO é a raiz do nosso edifício interior, que nos leva a comungar com Dcus pelo Dom do Espirito.

É preciso aprendermos dar os passes e a respirar com ritmo de Deus. O silêncio é o sinal da resposta que estamos dando ao seu mistério no acontecimento de cada dia, como aconteceu com Jesus, Maria e os Santos de ontem e de hoje. É um silêncio reverente diante do desconhecido, do insondável, mas que indica a verdade da fé, repercutida pelos atos em nossa caminhada terrestre. Como os antigos decifravam os oráculos de Deus, hoje eles são decifrados na escuta e no silêncio, na profundidade da participação de cada Santa Missa, que se prolonga nas ações diárias. Por isso é preciso nos educarmos para falar. Como disse Paulo: "E VOSSAS PALAVRAS TRAZEM GRAÇAS AOS QUE OUVEM".

Eucaristia, caminho de um profundo silêncio

O Silêncio puro, nos ajuda a penetrar no Mistério EUCARÍSTICO. Quando todo ser se envolve, o coração suaviza e a alma leva o próprio corpo a cair de joelhos através de um suave encanto de admiração, ternura e adoração. E ai que brota a música.

Neste recolhimento o espírito recolhido em si se dispõe a abrir-se ao Espírito de Deus. É capaz de fazer as opções que marcam a própria história de sua (existência) peregrinarão. É uma iluminação interior.

Silêncio, caminho da revelação, onde o desejo da alma abraça o desejo divino.

Para muitos, o silêncio é tido como fechamento, tristeza isolamento e outras coisas mais. Esquecem que o barulho diminui a sensibilidade auditiva, aumentando o estresse, por isso é condição necessária para o equilíbrio da própria vida. É buscar a Vida segundo o Espírito (Rom. 8,1-11).

É preciso ter muito cuidado para não confundir silêncio com indiferença e ausência.

Há muitos silêncios que por si mesmos são sintomas de desordem e suas causas.

O silêncio EUCARÍSTICO, fala pelas ações. É um silêncio que tem seu fundamento na espera pelo Senhor, por isso, educativo e paciente. A quem não leva uma vida de oração, é impossível entender a grandeza do silêncio. É

 

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no segredo, te recompensará". (Mt. 6,6) Jesus nos orienta e buscar sempre um lugar propicio para a oração. Um lugar que nos ajuda concentrar-nos e recolhendo-nos favõreccndo todos os sentidos a participarem no ato de orar. F ai que acontece a conversão e a transformação da vida.

O silêncio é uma terra fecunda onde germinam as coisas do Esp;rito de Deus.

Adoradores, tirem um momento por dia para entrarem na posse do Espirito. Que a Santa EUCARISTIA tome posse dos seus corações.

Vários tipos de silêncio

Adoradores, há vários tipos de silêncio nos quais revelamos a nossa atitude de vida.

É preciso descobrir a motivação que nos leva ao silêncio ou a não pronunciar palavras.

Muitas vezes falamos mais com o silêncio do que com palavras. É através do silêncio que nosso corpo passa para o exterior o que está no mais intimo de nosso ser.

É preciso descobrir quais são as motivações do nosso silêncio.

1) Silêncio negativo: muitas vezes o silêncio é um refúgio, medo de se comprometer. E um refúgio onde fechamos as portas para qualquer diálogo. Agimos como animais feridos e nos entocamos permanecendo em um silêncio proposital, sem dar a mínima satisfação dos porquês do nosso agir. 

É um silêncio de pessoas frustradas que não tem capacidade de reagir, buscando uma resposta para o seu fracasso. Esse tipo de silêncio é muito perigoso, se não for superado. Gera depressão e revolta. Leva a frustracão, causando um lento suicídio no ser e no agir. As vigílias EUCARÍSTICAS bem vividas são remédios para esse tipo de doença. Somos adoradora, por isso é preciso deixarnos curar pelas Santas Missas e as adorações.

2) O silêncio do emburrado, nervoso. Este tipo de silêncio é um confronto diante do Evangelho. E um silêncio perigoso porque nasce da incapacidade de dialogar e da de permitir que os outros sejam diferentes. Há no caminho da vida um pluralismo sádio que nos enriquece e amplia a nossa visão. E isto é necessário para o crescimento da história. O fechamento para estes conhecimentos nos torna agressivos, antipáticos e criadores de autodefesa pessoal. Pois a agressividade tem sua manifestação não só com ataques de palavras, mas também através do silêncio. Ele ainda é pior por não sabermos o grau de revolta que está acontecendo na pessoa. Por isso cria um ambiente pesado, afastando as pessoas e rompendo o diálogo. O nervoso silencioso permanece sozinho no seu isolamento, só rompendo algumas vezes o silêncio por manifestações exteriores desequilibradas.

3) O silencio ciumento. É um silêncio que gera morte. Não podendo ter em mãos a outra pessoa, prefere a fuga e o silêncio.

É um sofrimento fechado em si mesmo, que não permiti dar abertura para o próximo a fim de que possa agir. Neste estado é impossível gerar vida e vida EUCARÍSTICA. O próprio estado rancoroso impede a ação do Espírito recebida em cada comunhão. O adorador ou adoradora que se encontram neste estado de fraqueza que faz parte da vida humana, precisam procurar ajuda de alguém, seja de um sacerdote ou de uma pessoa amiga. Todos nós estamos sujeitos a cair, não somos infalíveis. O importante é termos consciência e não permanecermos neste estado que vai decompondo a vida Espiritual, matando a si próprio e prejudicando os outros.

4) O silêncio EUCARÍSTICO é positivo, porque revela fecundidade e espalha alegria ao seu redor.

É no silêncio que a Palavra se fez Carne e o Amor se faz Presença. O silêncio do amor revela toda palavra não dita, basta o encontro profundo de olhares. É assim que Deus em sua misericórdia olha para nós. É um olhar que nos recria, dando-nos vigor e entusiasmo para a vida. Mesmo nas lutas diárias, é capaz de calar. Diante do mistério do amor é preciso fazer silêncio para que a Palavra penetre em nossos corações. Bíblia e Eucaristia, eis o caminho.

Ser Silêncio

É preciso tornar-se silêncio para depois transformar-se em palavras e ações. Maria é a mestra do silêncio, por isso o Verbo se fez Carne e veio morar entre nós. Ser silêncio não é passividade, mas uma busca dinamiza da própria Santidade, superando todos os obstáculos que impedem a entrada e o recolhimento no Santuário do coração. Cada Santa Missa é um convite para este silêncio interior.

É preciso revestirmo-nos do Espírito antes de participarmos da Santa Missa. Só assim sentiremos gosto pelas coisas de Deus. "O homem carnal não pode sentir gosto pelas coisas do Espírito." (1° Cor. 2,14) Cada vez que comungamos com fé se realiza a palavra de Jesus. "Eu neles e tu em mim, para que sejam perfeitos na unidade e para que o mundo reconheça que me enviaste e os amaste como tu me amaste." (Jo 17, 23)

Os corações dos adoradores devem ser um Santuário silencioso, educados pelo Espírito que leva a unidade, onde é reconhecido o amor de Cristo e sua Missão Salvadora. Alegria na unidade Eucarística, fruto de cada Santa Missa.

Londrina, 15 de Junho de 2000

 

Irmã Ercília Gonçalves Tavares

 

  

 

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